30 de jan de 2008

No ônibus

Chovia, como em tantos outros dias. Caía uma chuva calma e de som baixo, com pequenos pingos... como se cada pingo trouxesse um segredo, uma memória. Por um instante, parara de ouvir os pingos da chuva, seu ônibus chegara.
Como sempre, entrou no ônibus, passou sua carteirinha, esperou que o motorista liberasse, passou a catraca, procurou algum lugar para sentar. Encontrou um, já quase no fundo do ônibus, no corredor. No assento da janela, um rapaz de camisa vermelha e calça preta.(Não é que ele estivesse descalço, ela simplesmente não prestara atenção neste pequeno detalhe. Havia um sapato lá. Só não viu qual era.) Não prestou muita atenção no rapaz, não gostava de olhar para muitas pessoas para que sua imaginação não começasse a fluir. Saiu um pouco de seus pensamentos, e voltou a prestar atenção nos pingos de chuva, que ainda caiam calmamente lá fora. Permaneceu assim por mais uns quinze minutos, até que o ônibus parasse, e os pingos começassem a entrar pela janela e molharem sua mão. O rapaz que até então também estava ao seu lado olhando para a chuva, levantou-se e fechou a janela. Olhou para ela, como quem esperasse resposta. Ela, sem ação. Não sabia se agradecia, se mudava de lugar, se saia de perto... Afinal, o rapaz poderia ser um ladrão, um sequestrador, um traficante, um aliciador de menores ou outros milhões de coisas que se passaram por sua cabeça.
Finalmente, limpou sua mente de todos os pensamentos, se levantou, agradeceu ao rapaz com um meio sorriso e desceu. Seu ponto chegara.

27 de jan de 2008

Atraente

Era atraente. Não era exageradamente bonita, mas era atraente. Digamos que fosse uma média. Tinha seios e quadris médios, estatura mediana... Enfim, como eu havia dito, média. Bonita. Com um quê de mulher em cada ato, gesto, pensamento. Andava com um leve movimento dos quadris... Atraente. Bebia como quem primeiro aprecia o gosto de cada gole de sua bebida... Atraente. Seu rosto... Seu pescoço... Suas curvas... Definitivamente atraente.
Mas o que mais me atraía nela, seus olhos e seu sorriso de menina, que cativavam cada um que olhasse para ela. Atraente.
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"Hoje apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro que aconteceu...
Se alimenta do passado...
Mas ela diz, que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz que um dia a gente há de ser feliz...
Se Deus quiser..."


e Deus existe? sim, é o amigo imaginário de gente grande...
outro dia explico isso.

23 de jan de 2008

A chuva que caía lá fora... A saudade que batia aqui dentro... Tudo isso fazia parte de seu mundo-comum...
Sempre fora assim desde que conhecera aquela pessoa... Ficara tudo colorido em sua vida, de maneira que nunca vira até então...
E agora, desde que se fora... Lá fora era sempre chuva mesmo em dia de sol... Nem mesmo as pizzas com coca-cola que tanto amava tinham o mesmo gosto... E tudo o lembrava.
Tudo que queria era vê-lo outra vez... E pra sempre... E sempre...
E talvez nunca mais deixá-lo.
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"Não vou mais falar de amor
De dor, de coração, de ilusão
Não vou mais falar de sol
Do mar, da rua, da lua ou da solidão..."

21 de jan de 2008

E quando os demônios interiores acordam...

Já acordou algum dia com todos - literalmente todos - seus demônios interiores fazendo uma enorme algazarra na sua mente?
Sim, eu já. E embora não seja uma sensação agradável, eu prefiro não abrir mão dela. São os demonios interiores que formam a minha personalidade, e jogá-los fora é o mesmo que cometar suicídio.
Enquanto isso... Continuamos fingindo que está tudo bem, mesmo que durante esse tempo sua mente esteja em ruínas...
Que se danem.
E três vivas aos meus queridos demônios tão odiados por tantas pessoas...
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Don't be afraid my baby, i just wanna to kill you...

19 de jan de 2008

Sobre a antiga loucura...

E o vento bate nas pedras do subterrâneo que rolam e caem no céu, enquanto Joana olha, angustiada...
Acabara de perder seu bem mais precioso: a ausência de sanidade.
Começou a perceber quando as coisas simplesmente perderam o sentido em sua mente: os cães latiam, os gatos miavam, e - principalmente - as pessoas fingiam ser felizes.
Para Joana, desde que seu mundo era mundo, os cães sempre cantaram, os gatos lutavam karatê, e os peixes voavam... E as pessoas eram verdadeiras.
Então preferiu simplesmente tentar voltar ao seu mundo que apesar de anormal era muito mais real do que acabara de ver...
E o sol brilhava forte novamente, na noite mais quente, onde sempre caiam pedrinhas de gelo para enfeitar a tampa do potinho de creme de sua avó milenária...
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Tudo isto ocorre pela espada do Scooby-Doo encravada nas pirâmides do Egito e conjugada com o verbo to be, que reflete na rotação do olho do calango que por sua vez modifica as conservâncias e medievâncias da comadre Vanda...

To com vontade de postar alguma coisa aqui...
Mas o quê? Também não sei.
Mas mesmo assim to escrevendo.
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E viva a loucura alheia.
E também as vodkas, as cervejas...

9 de jan de 2008

O lado obscuro da mente (?)

Maldita - Oblivio

Viva, corra, invente, deseje
seja, minta, sofra, acredite
ame, insista, aprecie, tente
use e seja usado
Se quer tem que sair daqui de dentro do buraco
eles não vem aqui
os sentimentos mais puros, algo intocável
para chamar de amor
algo escroto, sujo e podre
E eles querem que eu acredite
e eles querem que eu acredite
e eles querem que eu
Corra, viva, aproveite o momento
mate, transforme, agóra, existo
cresça, use ame e odeie, prove e seja morto
Eu prefiro ficar dentro do buraco, por que no buraco
ao menos eu me sinto assim
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Andei observando tudo... E observei sentada também...
É estranho quando o seu mundo não faz sentido pra você mesmo...
É simplesmente a hora em que você descobre que tem tantas máscaras dentor do seu mundo que nem você mesmo sabe dizer qual era a idéia original...
Algumas idéias foram modificadas porque elas amadureceram, enquanto outras simplesmente se disfarçaram para serem aceitas por uma sociedade que não dá a mínima pra você.
Que se foda a sociedade. (A velha frase clichê mas que em certos momentos serve como uma luva)
Maldita hora em que sua mente começa a funcionar.
É bem mais facil ser alienado e viver em seu próprio mundo sabia?
Tudo bem, nada de pânico... Pode ser só mais uma crise de esquisofrenia genérica.
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Fazendo amizade com as sombras da parede...
E não, eu não estou louca. Não é Wanessa?
-É.